previdencia complementar recua crescimento

Previdência complementar recua crescimento

O segmento de previdência complementar aberta passa por um momento de acomodação. Após aumentarem 73% em cinco anos, de R$ 68 bilhões, em 2012, para R$ 117,6 bilhões, em 2017, as contribuições perderam fôlego no ano passado. A arrecadação, ante 2016, cresceu apenas 2,57%. A captação líquida (diferença entre aplicações e resgates) também perdeu vigor, com desempenho 6,38% inferior a 2016. Os dados do primeiro bimestre indicam manutenção desse cenário, com a indústria praticamente andando de lado na arrecadação e na captação líquida.

Entre as variáveis que explicam o cenário de maior estabilidade neste ano estão a retomada do consumo, com maior direcionamento dos recursos para compras em detrimento da poupança, e a reorientação dos investimentos para ativos de maior risco, fora da previdência, com o intuito de capturar ganhos maiores em tempos de Selic em queda. “O mercado de previdência é visto como conservador e isso afeta o fluxo de recursos. Há um desafio de comunicarmos que também temos na prateleira produtos mais agressivos, com possibilidade de retornos maiores”, diz Edson Franco, presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi).

Em que pese a saída da recessão e a perspectiva de avanço da atividade acima de 2,5% em 2018, a indústria ainda sofrerá impactos do forte nível de desemprego no Brasil. Em 2017, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa média de desemprego atingiu 12,7%, com 13,2 milhões de desocupados, a maior da série histórica. O índice deve ter uma redução este ano, mas com a geração de vagas informais. “O desemprego começa a se estabilizar, com expectativa de melhora apenas discreta em 2018”, diz o diretor da Bradesco Vida e Previdência, Cláudio Leão. “Isso afeta as contribuições dos planos corporativos e torna mais irregular as contribuições aos programas individuais”.

Ainda que as contribuições não avancem com o mesmo vigor, as reservas crescem na casa dos dois dígitos. O patrimônio da indústria atingiu R$ 756,16 bilhões ao final de 2017, alta de 17,5% em relação ao ano anterior, conforme dados da FenaPrevi. O avanço das provisões é resultado da captação líquida positiva e do próprio crescimento vegetativo das reservas em um cenário de juros nas alturas. Esse último quesito, entretanto, também se impõe como desafio já que com Selic em sua mínima histórica (6,5% ao ano), a rentabilidade dos ativos começa a ser impactada.

O recado é claro: o investidor que quiser alavancar a rentabilidade do investimento terá de assumir mais riscos e conviver com alguma volatilidade – hoje, 88% dos recursos dos fundos estão alocados em renda fixa. “Ainda há a questão cultural da renda fixa entre os brasileiros pelo histórico de taxas de juros altíssimas. Trabalhamos com educação e campanhas para mostrar que a volatilidade joga a favor dos investimentos para a longevidade”, diz Marco Barros, presidente da Brasilprev. Em paralelo, o segmento também começa a modernizar e diversificar os produtos disponíveis nas prateleiras para fazer frente ao novo cenário de juros e se beneficiar das mudanças regulatórias introduzidas ao final de 2017.

Para o diretor de Produtos de Investimentos e Previdência do Itaú Unibanco, Claudio Sanches, há um desafio de mostrar para um grande contingente de clientes de previdência, de perfil conservador, que será necessário tomar algum risco para ter maiores retornos. “Em 2018, teremos um crescimento forte em multimercados e mais moderado em renda variável. A partir de 2019 podemos ter, a depender do desempenho da economia, aceleração maior nas aplicações em renda variável”, diz.

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